FALANDO DE MÚSICA
“Freqüentemente a música é considerada mera distração, quando na realidade, ela
é a expressão mais íntima de todos nós. As atividades artísticas constituem
formas do indivíduo evidenciar suas emoções e exercer seu pensamento. A música
acaba se destacando como uma dessas artes, estimulando o impulso vital, a
inteligência, a vontade, a imaginação criadora, a sensibilidade e o amor, que
são as mais importantes atividades psíquicas de todos os seres humanos, ou seja,
a maior particularidade da música é unir, harmoniosamente, o conhecimento, a
percepção e a ação.
Para aprender música não é necessário ter um talento especial. Isso pertence a
todos. E um dos principais deveres da escola é o de assegurar a igualdade de oportunidade
para que todo aluno tenha acesso à música e ser educado musicalmente, não
importando o ambiente sociocultural de origem.
A música é um dos maiores estímulos para a ativação dos circuitos do cérebro; o
objetivo da música na escola é musicalizar, ou seja, tornar o aluno receptível
e sensível ao fenômeno sonoro. Desenvolver a criatividade do aluno utilizando
elementos simples do cotidiano, desmistifica a idéia de que trabalhos criativos
precisam de grandes elementos para a sua confecção; e isto também se aplica à
música!
Apesar de haver grandes dificuldades para se trabalhar o tema “música”,
principalmente nas escolas públicas, o maior alvo do professor deveria ser o de
fazer com que o aluno construa uma forma de pensamento crítico. Torna-se necessário
criar e/ou descobrir meios disponíveis de emergência, para não se deixar levar
pelas dificuldades e falta de recursos, levando-nos a uma atitude apática de
não fazer nada, além de usar a própria dificuldade como desculpa.”
(Trecho de artigo de Riane da Costa Gomes, professora de educação musical da
Rede Municipal de Ensino.)
MÚSICA e EDUCAÇÃO INFANTIL
É necessário que a professora dê à criança a oportunidade de “viver” a música,
apreciando, cantando, criando, movimentando o corpo. A música, associada à
expressão corporal, pode ajudar o aluno a descobrir o seu próprio ritmo,
ordenar a motricidade excessiva e harmonizar movimentos. Todo ser humano possui
um ritmo vital, que pode ser descoberto ou educado ritmicamente através de
atividades ligadas a musicalização.
A MÚSICA “DA HORA”
A música pode ser utilizada como elemento sensibilizador e marcador
cronológico, auxiliando o aluno na construção e organização dos conceitos de
tempo e espaço. Por isso, é importante o uso de canções que servem para marcar
o início, final ou execução de determinadas tarefas, como hora da história,
merenda, higiene etc. Nessas horas, principalmente nos ambientes externos, a
música faz com que o aluno se sinta “parte daquele grupo”, auxiliando a
professora com a disciplina e formação de hábitos.
A utilização da música como forma de marcar os tempos de transição é uma das
práticas comuns nas escolas de educação infantil: “Para marcar a transição
entre o tempo de trabalho e o tempo de organização, os educadores usam diversas
estratégias com a finalidade de motivar e apoiar as crianças na transição de um
momento da rotina para o seguinte: uma sineta, um pandeiro, uma música ” (in,
ZABALZA, M. Qualidade em
Educação Infantil )
Esta é uma das formas de se utilizar a música na educação infantil, mas
restringir a música a estes momentos significa “tolher” o potencial criador dos
alunos e tirar-lhes a oportunidade de conhecer a nossa vasta e rica cultura
musical.
MÚSICA “ALÉM DA HORA”
É extremamente importante desenvolver atividades de educação musical em formas
de jogos e brincadeiras, afinal, estamos falando de Educação Infantil!
A iniciação musical deve ser realizada em forma de brincadeiras, valorizando o
lúdico e o prazer.
A utilização de cantigas e brincadeiras folclóricas ao longo do ano enriquece
as atividades de iniciação musical. Com um folclore rico como o nosso torna-se
um “desperdício” trocá-lo por canções puramente comerciais ou reproduções de
músicas do folclore estrangeiro por artistas brasileiros (aqueles bem
conhecidos do público infantil mas de qualidade musical duvidosa). Não devemos,
com isso, excluir totalmente este tipo de música, pois elas fazem parte do
universo musical e ambiente social do aluno, mas como EDUCADORES, temos o dever
de oferecer educação de qualidade em todos os aspectos, além de contribuir para
a formação de um olhar crítico à cultura massificada.
As sugestões de atividades estarão organizadas em fichas para melhor manuseio e
auxiliar no planejamento.
As atividades de iniciação musical possuem como objetivos desenvolver e/ou
ampliar:
Senso rítmico;
Linguagem oral e articulação;Expressão corporal;
Memória auditiva e visual;
Experiências com o corpo;
Enriquecer o repertório musical;
Atenção, concentração e controle;
Livre expressão criadora;
Hábitos e atitudes com relação ao uso de instrumentos musicais;
Construção da orientação espaço-temporal;
Coordenação motora;
TRABALHANDO COM INSTRUMENTOS
Antes do trabalho com os instrumentos é necessário ter explorado outras formas
de iniciação musical como barulhos do corpo, pesquisa de sons, criação de sons
com objetos diversos (papéis, blocos, folhas secas), observação dos barulhos na
natureza e do ambiente etc
O uso dos instrumentos musicais deve ser feito gradativamente. Primeiro, é
preciso fazer com que a criança os conheça. Em rodinha, apresente um
determinado instrumento, deixe que cada criança pegue, aperte, sinta o cheiro,
veja se é duro ou mole, se é de metal, de plástico etc. Comece com um
instrumento por dia. Deixe que a criança perceba que som faz aquele
instrumento, fale o nome.
É extremamente importante conversar com os alunos sobre os cuidados que devemos
ter com os instrumentos: guardar cada coisa no seu lugar, e os cuidados de
manuseio. A disciplina da professora para reforçar esses cuidados é fundamental
e a utilização politicamente correta dos equipamentos é bem-vinda!
Nenhum comentário:
Postar um comentário